Art, // May 13, 2016
Liria Varne – Artista
Entrevista com o artista Liria Varne –
1. Quem é você e o que você faz?
Meu nome é Liria Varne, sou artista visual, atriz, brasileira, nasci e vivo em São Paulo. Meu trabalho dialoga com problemas sociais em diversos suportes, desde pintura a instalações.
2. Por que a arte?
Por que a arte é um agente transformador.
3. Qual é a sua lembrança mais antiga de querer ser uma artista?
Não consigo ter uma lembrança pontual e definida.
4. Quais são seus temas favoritos?
O social, o humano, o entorno, a vida, pequenas histórias que se passam à minha volta, que atingem a minha cidade, meu país, às vezes, o mundo. Para quem vive em um pais como o Brasil, existe muito material social, questões a serem debatidas, pensadas. Acho que a arte tem que chamar atenção para pontos que ninguém percebe ou que, por conforto, prefere não perceber.
“A função da arte não é a de passar por portas abertas, mas é a de abrir as portas fechadas.” — Ernst Fisher
5. Como você trabalha e aborda o tema, assunto?
Meu trabalho é de extrema observação da vida e seus acontecimentos. Sinto-me uma espécie de historiadora, mas penso no meu trabalho como se fosse uma dramaturgia, contar um momento. Observo e reproduzo uma realidade transformada. Para trabalhar com realidades extremas e doloridas desenvolvi um figurativo não realista, que permite transitar pela dor sem me destruir.
6. Quais são seus trabalhos de arte favoritos (s), artista (s)?
É muito difícil falar de um trabalho ou de um artista favorito, mas posso citar alguns nomes: Candido Portinari, pela forma como narra o Brasil; os modernistas brasileiros… a Guernica, de Pablo Picasso, e todo seu contexto histórico; Vincent Van Gogh, Francisco Goya, Egon Schiele, Ai Weiwei , Anish Kapoor, William Kentridge … São tantos…
7. Quais são as melhores respostas que você teve ao seu trabalho?
Quando existe a venda é a resposta mais concreta, mas acho que eu tenho um certo romantismo, de que a arte tem esse poder de mudar, transformar o mundo… e quando, por exemplo, minha obra está exposta e alguém vem falar dela comigo e descreve em algumas palavras o que eu queria dizer, ou que me diz que a minha obra fez com que a pessoa prestasse atenção em algo em que ela não prestava… acho que isso, para mim, esse poder comunicar uma ideia de uma forma poética e conseguir um ponto de transformação em quem recebe, quem aprecia a obra, isso para mim é algo que me realiza e me faz seguir.
8. O que você gosta sobre o seu trabalho?
Desenvolvi muito cedo uma linguagem própria para dar voz ao meu discurso. Fiquei algum tempo só com as telas e os pincéis, mas já faz um tempo que a tela não dá mais conta da minha produção. Agora estou envolvida com a street art, que nos proporciona um contato estreito e humano com a cidade. Saí em busca de transformar a cidade e estou me transformando também. Esse mundo de possibilidades de um artista multimídia, isso me encanta.
9. Que conselho você daria para outros artistas?
Dedicação.
10. Onde você se vê daqui a 05/10 anos?
Se você me perguntasse isso no ano passado, eu te daria um cronograma completo da minha vida, mas nos últimos 6 meses descobri que nada pode ser planejado, não temos o controle de nada. E estou aprendendo a viver cada dia de uma vez. Acho que, finalmente, estou aprendendo a viver! E voé!
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Edmundo Cavalcanti é nosso colunista de artes para Arts Illustrated em São Paulo, Brasil.